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Como Pode a Quiroprática Ajudar no Processo de Degeneração da Coluna?

  • Foto do escritor: Carlos Tavares
    Carlos Tavares
  • há 5 dias
  • 5 min de leitura

No artigo anterior, explorámos as quatro fases da degeneração da coluna – da disfunção silenciosa ao colapso estrutural. Surge então a questão prática: o que pode realmente fazer-se quando este processo já está em curso? A boa notícia é que, independentemente da fase em que se encontra, a quiroprática oferece uma abordagem não invasiva e proativa para gerir, abrandar e, nas fases iniciais, até reverter parte do impacto degenerativo.


No entanto, é crucial entender que os resultados variam significativamente. A fase de degeneração é o principal fator determinante do plano de tratamento e do seu prognóstico. Crianças, adolescentes e adultos jovens, com maior capacidade de regeneração tecidular, respondem frequentemente de forma mais rápida. Adultos com degeneração avançada (fases 3 e 4) podem necessitar de um compromisso mais prolongado para alcançar melhorias significativas na função e na qualidade de vida. O processo de cura do tecido conjuntivo e neural é gradual, e o sucesso depende de uma parceria ativa entre o quiroprático(a) e o(a) paciente.



As Duas Fases dos Cuidados Quiropráticos: Uma Estratégia Baseada na Evidência


Imagine construir uma casa. Não se começam pelas paredes ou pelo telhado, mas sim por fundações sólidas. Ignorar esta ordem resulta numa estrutura frágil. O mesmo princípio aplica-se à recuperação da sua coluna. O corpo necessita de um plano faseado e estruturado para se reparar de forma completa e duradoura. Na quiroprática, distinguimos duas fases essenciais de cuidados, desenhadas para restaurar e otimizar a função neuro-músculo-esquelética.



1. Fase de Cuidados Iniciais ou "De Construção da Fundação"


Esta é a fase intensiva, onde o foco está em travar a progressão da degeneração ativa e estabelecer as condições para a cura. Visitas são mais frequentes (geralmente 1 a 3 vezes por semana), e a duração depende da gravidade, cronicidade e fase de degeneração.


Objetivos Principais:


  • Redução da Dor e Inflamação: Controlar a dor aguda ou crónica é prioritário. Ajustamentos específicos (manipulação vertebral) demonstram eficácia na modulação da dor, reduzindo a sensibilização central e a inflamação local. Estudos indicam que a manipulação vertebral pode modular os marcadores inflamatórios como a citocina TNF-α e aumentar os níveis de agentes anti-inflamatórios como a interleucina-10 (IL-10) (Teodorczyk-Injeyan et al., 2018).


  • Restauração da Mobilidade Articular: A degeneração discal e a formação de osteófitos limitam severamente o movimento. Os ajustamentos quiropráticos visam restaurar a mobilidade segmentar, reduzindo a carga anormal sobre os discos e articulações facetárias. A melhoria da amplitude do movimento é um dos resultados mais consistentes da terapia manual (Maiers et al., 2020).


  • Melhoria da Função Neurológica: Ao reduzir a interferência mecânica nas articulações e tecidos moles, promove-se uma função nervosa otimizada, essencial para o controlo muscular, coordenação e comunicação cérebro-corpo.



2. Fase de Cuidados de Manutenção e Bem-Estar


Com a estabilização dos sintomas, entra-se numa fase proativa. O objetivo já não é "apagar incêndios", mas fortificar as defesas.


Objetivos Principais:


  • Consolidação dos Ganhos e Prevenção de Recidivas: Visitas regulares (ex., mensal ou bimensal) permitem abordar disfunções antes que se tornem sintomáticas, mantendo a coluna alinhada e funcional.


  • Otimização da Biomecânica e Estabilidade: Através de exercícios prescritos e aconselhamento ergonómico, fortalece-se o core e os músculos estabilizadores profundos, criando um "colete muscular" que suporta a coluna e descarrega as estruturas passivas (discos e ligamentos).


  • Promoção da Saúde a Longo Prazo: Cuidados regulares estão associados a uma menor probabilidade de episódios incapacitantes de dor lombar, redução da necessidade de medicação ou intervenções mais invasivas, e manutenção da qualidade de vida (Maiers et al., 2020).


Um Exemplo de um Plano de Tratamento Estruturado


Tendo em conta a sua história clínica (anamnese) e exame físico detalhado (que inclui, se necessário, avaliação postural e exames de imagem), poderá ser sugerido um plano personalizado, como o exemplo abaixo:


Fase de Construção da Fundação (Duração aproximada: 5-8 semanas | Frequência 1-3 x semana)


  • Sessão 1-2 (Avaliação e Início do Tratamento): Avaliação completa (historial e testes ortopédicos e neurológicos), primeiro ajustamento e recomendações para gestão do estilo de vida.


  • Sessões 3-7 (Fase de Redução da Inflamação e Restauração):


    • Ajustamentos Regulares: Para normalizar a função articular.


    • Gestão da Inflamação: Aconselhamento sobre crioterapia (gelo) para fases agudas (primeiras 48-72h) para vasoconstrição e redução do metabolismo tecidual, ou termoterapia (calor) para condições crónicas (>72h) para promover relaxamento muscular e fluxo sanguíneo. A evidência suporta o uso do frio para edema agudo e do calor para alívio da dor muscular (Malanga et al., 2015).


    • Estratégias Nutricionais: Discussão sobre nutrientes anti-inflamatórios (ómega-3, curcumina...) que podem apoiar a saúde dos tecidos conjuntivos.


    • Sessão 8 (Reavaliação e Transição): Reavaliação objetiva dos progressos (dor, mobilidade, força). Transição para a fase de consolidação, com introdução de exercícios de reforço muscular e controlo motor específicos para a sua condição.



Fase de Manutenção Preventiva (A longo prazo)


  • Check-ups Regulares: Ajustamentos preventivos a cada 4 a 6 semanas, conforme as necessidades individuais.


  • Plano de Exercícios Continuado: Foco na estabilização segmentar, flexibilidade e correção postural.


  • Aconselhamento de Estilo de Vida: Revisão contínua de ergonomia, gestão do stress e hábitos que impactam a saúde da coluna.


Conclusão: Uma Parceria para a Saúde da Sua Coluna


A degeneração da coluna não é uma sentença de incapacidade. Através de um plano quiroprático estruturado em duas fases – primeiro estabilizando e reparando, depois fortalecendo e prevenindo – é possível não apenas gerir a dor, mas melhorar significativamente a função e a resiliência da sua coluna, independentemente da fase em que o processo se encontra.


O compromisso com um plano de tratamento e uma abordagem proativa são a chave para interromper o ciclo de degeneração e inflamação, permitindo-lhe recuperar o controlo da sua saúde e viver uma vida plena e ativa.



Referências Bibliográficas:

  • Maiers, M., et al. (2020). "Chiropractic Care for Low Back Pain: A Review of the Clinical Effectiveness and Guidelines." Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics.

  • Malanga, G. A., Yan, N., & Stark, J. (2015). "Mechanisms and efficacy of heat and cold therapies for musculoskeletal injury." Postgraduate Medicine.

  • Teodorczyk-Injeyan, J. A., et al. (2018). "Interleukin-2-regulated in vitro antibody production following a single spinal manipulative treatment in normal subjects." Chiropractic & Manual Therapies. (Nota: A referência à modulação da IL-10 é de trabalhos subsequentes desta linha de investigação sobre a resposta imuno-neuro-endócrina à manipulação).



Esperamos tê-la(o) ajudado com esta informação. Caso necessite de ajuda não hesite em marcar uma consulta (Quiroativação). Vamos identificar em que fase se encontra e traçar um plano para que a sua coluna envelheça com força, flexibilidade e vitalidade. Não deixe que a sua coluna afete o seu bem-estar.


Seja ajustada(o) regularmente, e mova-se mais e melhor.


Aviso Legal:

A informação disponibilizada não representa uma prescrição. Deve consultar um profissional licenciado na área clínica antes de iniciar um programa de exercício e ser supervisionada(o) por um técnico de exercício físico ou terapeuta devidamente qualificado.

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