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As Quatro Fases da Degeneração da Coluna: Compreender o Processo para Agir a Tempo

  • Foto do escritor: Carlos Tavares
    Carlos Tavares
  • 26 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura


A dor nas costas que o(a) traz à nossa consulta parece, muitas vezes, surgir do nada – um movimento brusco, um dia mais ativo, ou simplesmente ao levantar-se da cama. No entanto, a realidade subjacente é quase sempre diferente. A degeneração da coluna vertebral é um processo lento e silencioso, que evolui ao longo de anos ou até décadas, muito antes de os sintomas se tornarem incapacitantes.


Compreender este processo é o primeiro passo para uma intervenção proativa e eficaz. Na quiroprática, não tratamos apenas a dor do momento; identificamos a fase de degeneração em que se encontra e atuamos para travar ou reverter a sua progressão, preservando a sua função e qualidade de vida.


Baseando-nos em modelos amplamente reconhecidos na literatura ortopédica e da fisiatria (como os trabalhos de Kirkaldy-Willis e outros), podemos descrever a evolução da degeneração discal e articular em quatro fases distintas.



Fase 1: A Fase da Disfunção (O Alerta Silencioso)


Esta é a fase inicial, muitas vezes impercetível. Pequenas roturas começam a formar-se nas fibras externas do disco intervertebral (o anel fibroso), fruto de microtraumas repetitivos, má postura ou pequenos impactos.


  • O que acontece? O disco começa a perder a sua integridade estrutural. Pode haver uma ligeira inflamação local e espasmos musculares ocasionais, pois, os músculos tentam estabilizar a área.


  • Sintomas: Dor ligeira e intermitente, rigidez ocasional, ou mesmo nenhum sintoma. É por isso que muitos ignoram esta fase. A dor pode aparecer após um esforço e desaparecer com o repouso.


  • Visão Quiroprática: Esta é a fase de maior oportunidade. A intervenção quiroprática nesta etapa é altamente eficaz. Através de ajustes específicos, recomendações posturais e exercícios, podemos ajudar a restaurar o movimento articular correto, reduzir a inflamação e permitir que os tecidos cicatrizem de forma otimizada, prevenindo a progressão.



Fase 2: A Fase da Desidratação (A Perda da Amortização)


Com a estrutura discal comprometida, o núcleo pulposo (a parte gelatinosa e hidratada do disco) começa a perder a sua capacidade de reter água, num processo chamado desidratação discal.


  • O que acontece? O disco torna-se mais fino, menos elástico e perde a sua altura. Esta redução do "amortecedor" natural aumenta a pressão nas facetas articulares (as pequenas articulações da parte posterior da coluna) e diminui o espaço por onde saem os nervos.


  • Sintomas: A dor torna-se mais frequente e crónica. Pode haver episódios de dor aguda ("mau jeito"), diminuição da flexibilidade e início de alterações posturais. A fadiga muscular na região lombar ou cervical é comum.


  • Visão Quiroprática: O foco aqui é controlar a degeneração e gerir os sintomas. Os ajustes quiropráticos visam melhorar a mobilidade segmentar, aliviar a pressão nas articulações e nervos, e otimizar a biomecânica da coluna. Trabalhamos para manter a função máxima dentro das limitações estruturais presentes.



Fase 3: A Fase da Estabilização (A Compensação do Corpo)


Nesta fase, o corpo tenta, por si próprio, "estabilizar" a área que se tornou hipermóvel e instável devido ao colapso discal. É a fase da formação de osteófitos, popularmente conhecidos como "bicos de papagaio".


  • O que acontece? Em resposta ao stress biomecânico anormal, o organismo deposita cálcio nas margens das vértebras, formando pontas ósseas. O objetivo biológico é aumentar a superfície de contacto e travar o movimento excessivo. Paradoxalmente, esta "solução" pode criar novos problemas.


  • Sintomas: Dor persistente, rigidez significativa, possibilidade de radiculopatia (dor, formigueiro ou fraqueza que irradia para um braço ou perna) se os osteófitos comprimirem uma raiz nervosa. O movimento fica claramente limitado.


  • Visão Quiroprática: O cuidado nesta fase requer maior precisão e adaptação. Utilizamos técnicas de ajustamento de baixa força e mobilização, focadas nas articulações ainda móveis, para melhorar a função global e aliviar a pressão neural. O objetivo principal é preservar a função neurológica, controlar a dor e evitar a progressão para a fase mais grave.



Fase 4: A Fase do Colapso (A Perda Estrutural Grave)


Esta é a fase final e mais severa do processo degenerativo. O espaço discal está drasticamente reduzido, podendo haver contacto direto entre os corpos vertebrais.


  • O que acontece? A altura do disco é mínima, as facetas articulares estão severamente desgastadas (artrose avançada) e pode ocorrer estreitamento significativo do canal vertebral (estenose) ou dos forames por onde saem os nervos. A formação de tecido cicatricial (fibrose) é comum.


  • Sintomas: Dor intensa e constante, grande limitação funcional, possibilidade de deficits neurológicos graves (como perda de força ou sensibilidade) e claudicação neurogénica (dificuldade em andar). A intervenção cirúrgica pode ser considerada para descompressão ou fusão vertebral.


  • Visão Quiroprática: Mesmo nesta fase avançada, a quiroprática pode desempenhar um papel paliativo e de suporte. As técnicas são extremamente suaves e adaptadas, visando aliviar a dor muscular associada, melhorar a flexibilidade dos tecidos circundantes e manter a maior função possível. Trabalhamos frequentemente em conjunto com outras especialidades médicas.


Conclusão: A Importância da Intervenção Precoce


A degeneração da coluna não é um destino inevitável do envelhecimento. É um processo biomecânico influenciado pelo estilo de vida, traumas, postura e genética. A mensagem mais importante é esta: quanto mais cedo for detetada e abordada, maior será o sucesso na interrupção ou abrandamento da sua progressão.


A quiroprática especializa-se precisamente na deteção e correção das disfunções articulares e nervosas que estão na origem deste processo degenerativo. Não espere até a dor se tornar insuportável ou até ver os "bicos de papagaio" numa radiografia. Cuidar da sua coluna vertebral é um investimento contínuo na sua saúde global e na sua autonomia futura.



Bibliografia de suporte:

  • Kirkaldy-Willis, W. H., & Bernard, T. N. (Eds.). (1999). Managing Low Back Pain. Churchill Livingstone.

  • IASP (International Association for the Study of Pain). Educational materials on spinal pain mechanisms.

  • Souza, T. A. (2016). Differential Diagnosis and Management for the Chiropractor. Jones & Bartlett Learning.



Esperamos tê-la(o) ajudado com esta informação. Caso necessite de ajuda não hesite em marcar uma consulta (Quiroativação). Vamos identificar em que fase se encontra e traçar um plano para que a sua coluna envelheça com força, flexibilidade e vitalidade. Não deixe que a sua coluna afete o seu bem-estar.


Seja ajustada(o) regularmente, e mova-se mais e melhor.

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