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Porque Razão a Quiroprática Funciona na Dor nas Costas?

Atualizado: 28 de jan. de 2022

Seguramente já passou pelo cenário em que depois de uma jornada de trabalho, sentada(o) todos os dias por longas horas, nem sempre com as melhores posturas, as suas costas se queixam, como se tivessem vida própria. A isso não é alheio o fato da sua coluna sofrer o stress mecânico de más posturas repetidas, movimentos e esforço realizados nem sempre com a melhor postura, e da falta de descanso (entendendo-se este como a não modificação frequente da posição adotada, isto é, sentada(o) versus de pé, parada versus caminhar...). Infelizmente, nos dias de hoje estamos sistematicamente a correr atrás do prejuízo e damos pouca atenção ao nosso corpo.



A inatividade física e a má nutrição (onde podemos incluir a falta de hidratação adequada) reduz metabolismo e, concomitantemente a circulação sanguínea a determinada parte do corpo. Quando em exagero, isto leva a diminuição da energia disponível e acumulação dos subprodutos do metabolismo localmente. Entre várias consequências, este envolvimento metabólico desfavorável pode conduzir a 2 cenários:

  • Inflamação local (subclínica), com acumulação de metabólitos que incrementam a nociceção (estímulos nervosos que provocam a dor, o que neste caso específico representa a dor do tipo químico ou lenta).

  • Redução na sensibilidade / perceção nessa mesma área do corpo. Estamos aqui a falar de sensações do tipo quinestésico (ao toque) ou propriocetivo (perceção do posicionamento do corpo no espaço, sem a utilização da visão).


Quando não existe subjacente uma condição patológica (por exemplo, uma síndrome que cause hiperalgesia ou alodínia), a inflamação local e a perda de sensibilidade, pode estar na origem do incremento da sensação de dor (nociceção).


Na realidade, os estímulos dolorosos estão sempre presentes. Então pergunta você? Porque não sinto dor? A dor é a perceção que o nosso cérebro tem dos estímulos dolorosos, e a nocicepção é a experiência dessa mesma sensação. A dor é projetada numa área específica do nosso cérebro (Área 3a de Brodmann - córtex somatossensorial primário, no lobo parietal). Contudo, outras sensações como o tato e a propriocepção também são projetadas em áreas análogas (Área 3b e 1 de Brodmann). Que impacto tem isto na dor? Em 1965, Melzack & Wall propuseram a Teoria da Comporta (se quiser explorar um pouco mais veja este vídeo), que de uma forma muito simples dizia que estímulos tácteis / propriocetivos, devido a mecanismos neurofisiológicos, entretanto estudados, poderiam inibir a nociceção. Todos já passámos pela experiência de nos magoarmos em determinada área do corpo e aliviarmos a dor esfregando a pele. É disto que estou a falar. Mas, o que tem isto a ver com o sedentarismo e a quiroprática?


Quando o envolvimento celular e metabólico não é o mais favorável (devido à má nutrição, à perda de função articular e muscular local, ou falta de movimento), os vários mecanismos neurofisiológicos que levam à inibição da dor não são tão eficazes. Isto faz com que a pessoa experiencie mais dor do que o habitual. Então, o que posso fazer?

Numa abordagem mais conservadora, temos 3 frentes de batalha (a ordem não tem que ser necessariamente esta; é importante que comece):



1. Reduzir o estado inflamatório local. Várias estratégias nutricionais podem ajudar. Estas passam pela eliminação de alimentos pro-inflamatórios, introdução de outros anti-inflamatórios, redução da glicémia, e hidratação adequada. Consulte um nutricionista especializado em Nutrição Clínica / Funcional e aprenda como pode mudar a sua alimentação e introduzir os suplementos que a(o) vão ajudar a estar menos inflamada(o).



2. Ser regularmente ajustada com a Quiroprática. O ajustamento quiroprático melhora a ativação dos mecanorecetores, quer na articulação ajustada, quer na musculatura envolvente. Isto melhora a função articular e a forma informação propriocetiva chega às áreas 3b e 1. Quanto melhor a informação deste nível, maior a inibição da área 3a (significa menos experiência dolorosa). Mesmo quando o segmento vertebral envolvido está inflamado, ajustar as áreas acima e abaixo da inflamação tem impacto no segmento afetado.



3. Movimento é a arma final desta batalha. Movimento adequado (com intensidade e volumes ajustados ao estado individual) cria uma ativação permanente das áreas 3b e 1 do cérebro, fazendo com que haja uma inibição mais permanente da dor. Todos já passámos pela sensação de nos sentirmos melhor quando estamos em melhor forma física. Esta otimização da proprioceção, assim como a concomitante ativação muscular resultante da informação que vem do cérebro (córtex motor) ajudam a modular a dor. O nosso corpo tem a capacidade de libertar opiáceos endógenos (vulgarmente denominados de endorfinas), durante o exercício físico, que ajudam a inibir / reduzir a sensação de dor. Inclusive, se exercitarmos (adequadamente) as áreas da queixa.



Como mensagem final, gostaria de lhe dizer que é possível reduzir a dor (não deixo de enfatizar que me refiro a situações subclínicas). Parte deste processo passa por mudar a forma como se alimenta, e introduzir alguns suplementos alimentares se necessário. E parte passa por melhorar a qualidade e a quantidade do movimento. A Quiroprática é um importante coadjuvante ao exercício físico enquanto terapia. Ao melhorar a função neuromusculoesquelética está a possibilitar (abrir uma janela de oportunidade) para um movimento livre de dor. O exercício físico e a manutenção quiroprática ajudam no longo termo a manter uma melhor qualidade de vida.


Seja ajustada(o) regularmente, e mova-se mais e melhor.


Esperamos tê-la(o) ajudado com esta informação. Caso necessite de ajuda não hesite em marcar uma consulta (Quiroativação). Não deixe que a sua coluna afete o seu bem-estar.


Aviso Legal:

A informação disponibilizada não representa uma prescrição. Deve consultar um profissional licenciado na área clínica antes de iniciar um programa de exercício e ser supervisionada(o) por um técnico de exercício físico ou terapeuta devidamente qualificado.

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