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Hérnia Discal Cervical

Atualizado: 20 de jul. de 2022



Descrição da condição


A hérnia discal é um deslocamento de parte do disco intervertebral para fora da sua localização anatómica normal. É mais frequente nas zonas lombar e cervical. Quando afeta a zona cervical, esta condição pode provocar dores no pescoço, região suboccipital e ombros, assim como alterações da sensibilidade e perda de força (sinais neurológicos) no braço, antebraço e mão. Este conjunto de alterações representa uma condição denominada por radiculopatia.


A radiculopatia cervical é um distúrbio neuromusculoesquelético agudo ou crónico, resultante da irritação da raiz nervosa causada por várias patologias, entre as quais a hérnia discal (Huff e Brady, 2005; Kuligowski et al., 2021). A protrusão discal ou a hérnia discal não são as únicas causas de radiculopatia. Estas podem incluir osteoartrose da coluna, formação de osteófitos, discopatia, instabilidade espinhal e trauma. Estas patologias afetam frequentemente a faixa etária de 40 anos ou mais (Huff e Brady, 2005; Kuligowski et al., 2021). Num estudo conduzido por Radhakrishnan et. al. (1994) a protrusão discal foi responsável apenas pela radiculopatia cervical em 21,9% dos pacientes. A média de idade 47,6 anos para o sexo masculino e 48,2 anos para o sexo feminino. Em apenas 14,8% dos casos os sintomas foram precedidos por esforço físico ou trauma. Uma história de progressão da radiculopatia lombar esteve presente em 41%. A localização mais frequente foi a raiz nervosa C7, seguida de C6.


Como foi referido anteriormente, a maior parte casos de hérnia discal, com exceção para causas traumáticas, resultam de uma condição progressiva que passa por diversas fases: 1. Abaulamento, 2. Protrusão, 3. Extrusão, e 4. Sequestro.


Eis uma ilustração das diversas fases:


No abaulamento, existe uma pequena projeção do disco na horizontal, como resultado da diminuição da altura do disco, e já existe alguma perda da integridade do anel fibroso.

A protrusão discal é uma condição é caracterizada pela projeção do conteúdo do disco além dos limites normais do disco intervertebral num segmento, inferior a 25% da circunferência do disco (Huff e Brady, 2005; Bickle e Gaillard, 2020). A partir desta fase, as raízes nervosas podem ser afetadas, e podem surgir sinais neurológicos, criando outra condição denominada por radiculopatia.


Quando o anel fibroso perde totalmente a sua integridade, este é incapaz de suster o núcleo pulposo dentro dos seus limites. O líquido contido no seu interior poderá sair para o meio externo e, quando isso acontece, o disco poderá diminuir de volume, achatando-se. É neste momento que estamos perante uma verdadeira hérnia discal. As hérnias podem ser extrusas e sequestradas. A hérnia discal extrusa dá-se quando há o rompimento do anel fibroso e o conteúdo gelatinoso interno presente no núcleo pulposo sai por meio de uma fissura na membrana, havendo perda de contato dos fragmentos extravasados com o seu meio interno. Por outro lado, a hérnia discal sequestrada é aquela que rompe a parede do disco e o líquido gelatinoso migra para dentro do canal medular, para cima ou para baixo. Além da pressão na raiz nervosa, provoca inflamação e compressão contínua. É o tipo de hérnia que provoca a chamada dor química (se quiser entender um pouco mais sobre isto leia o artigo Dor | Uma Sensação Desagradável), pois o núcleo pulposo, quando fora do seu ambiente natural, tem propriedades químicas ácidas e provoca dores insuportáveis. O paciente apresenta uma postura antálgica, inclinando a cabeça para o lado que lhe dá conforto.


Hérnia discal a comprimir uma raiz nervosa


Sinais e sintomas



A dor afeta a região lateral do pescoço, regiões suboccipitais, ombros, e região média do tórax (dor referida). A dor aumenta com hiperextensão ou desvio lateral da cabeça para o lado envolvido, e irradia do pescoço para as áreas de inervação das raízes nervosas de C5 a C8 (lateral do braço, antebraço e mãos). Na figura anterior é mostrada a distribuição da dor, na radiculopatia de C6. A dor é mais intensa no extremos quer do movimento ativo, quer do movimento passivo, limitando a amplitude do movimento em todos os planos.

A radiculopatia cervical pode levar a dores nos membros superiores. Outros sintomas geralmente incluem fraqueza muscular (em casos mais graves, atrofia muscular), perda de sensibilidade (dormência ou formigamento nas mãos) ou reflexos tendinosos profundos diminuídos ou ausentes (Huff e Brady, 2005; Kuligowski et al., 2021).


Possíveis achados radiológicos podem incluir perda de lordose cervical (retificação da cervical), estreitamento do espaço discal, osteófitos (bicos de papagaio) posteriores ou posterolaterais, com invasão foraminal (buracos laterais da coluna) (Radhakrishnan et al., 1994).


Outros achados no exame físico podem incluir defesa muscular, rigidez matinal e atrofia muscular (Huff e Brady, 2005).


Hérnia discal: O que é, sintomas e causas?



Tratamento


Os objetivos do tratamento de uma hérnia discal passam pela promoção melhoria dos tecidos moles (músculos e ligamentos) em redor da articulação intervertebral, pelo alívio da dor e prevenção de recidivas, pelo aumento da função articular (via aumento da amplitude do movimento livre de dor, e pelo restauro da força e estabilidade da estrutura articular para valores normais). Quanto mais rápido for este processo de reabilitação e restauro da função, melhor será o prognóstico do paciente.


Após uma extensa avaliação do historial clínico do paciente e um exame físico, o clínico deverá identificar as causas subjacentes e os gatilhos para os episódios de dor cervical aguda. Uma vez identificadas as causas, estas também devem ser eliminadas. A identificação dos gatilhos para os episódios agudos, e o estabelecimento de estratégias preventivas é um processo que exige uma avaliação funcional específica por parte de um clínico treinado e identificado com os mesmos (marque uma consulta com Quiroativação para o efeito).


É expectável que a dor no pescoço melhore ao longo de algumas semanas (NHS, 2020). O processo de reabilitação, com recurso a tratamentos não farmacológicos, deve ter início assim que possível, para minimizar a dependência de formas passivas e farmacológicas de tratamento.


A curta duração de sinais e sintomas é um bom sinal para a uma resposta positiva à manipulação vertebral.


O número de episódios prévios pode ser um fator para aumentar o número de tratamentos necessários para restaurar a amplitude de movimento livre de dor.


A tração cervical pode ser uma opção de terapia, na presença de radiculopatia causada por hérnias discais. A técnica de flexão-distração, quando aplicada à cervical, pode ser efetiva no tratamento de hérnias cervicais (Huff e Brady, 2005).


Na ausência de sintomas neurológicos, o tratamento conservador (não farmacológico e não cirúrgico) é efetivo (Huff e Brady, 2005):

  • Um colar cervical pode ajudar a reduzir a dor e permitir períodos de repouso.

  • Em casos agudos o gelo pode ter um efeito analgésico, em menor extensão anti-inflamatório. Casos crónicos, podem beneficiar de calor. Frio ou quente é, em muitos casos, uma solução individual. É importante o paciente estar atento aos efeitos no pós-tratamento.

  • Técnicas miofasciais (exemplos, técnicas de libertação passiva/ativa, IASTM como por exemplo Graston) sobre os músculos envolvidos, pode ser útil para lidar com as alterações na estrutura miofascial.

  • Técnicas de pontos gatilho sobre os músculos envolvidos.

  • Técnicas de ultrassom.

  • Exercícios isométricos, ou com resistências não inerciais, usando velocidade lentas e controladas, que permitam trabalhar na amplitude do movimento fisiológico disponível.

  • Exercícios corretivos (com enfase nas zonas adjacentes, como a coluna torácica e extremidade superior) para voltar a ganhar força, estabilidade e mobilidade articular.

  • Corrigir subluxações vertebrais (conceito quiroprático, associado a alterações biomecânicas no segmento vertebral, com impacto não só local, mas também em zonas do corpo associadas), na cervical, occipital, e parte superior da coluna torácica. A manipulação e mobilização vertebral, quando feita por um profissional devidamente qualificado, pode dar pelo menos um alívio a curto prazo e uma melhoria na amplitude do movimento articular em pessoas com dor cervical subaguda e crónica. O ajustamento quiroprático é uma forma segura e efetiva de o fazer.

  • O uso regular de uma cunha cervical (numa perspetiva de longo prazo), pode ajudar a restaurar (ou pelo menos melhorar) a curvatura cervical, e com isso reduzir a pressão inadequada sobre os discos intervertebrais.


Algumas questões que surgem com frequência:


Quando se justifica fazer uma ressonância magnética?



Pode uma hérnia discal curar-se por si só?



Esperamos tê-la(o) ajudado com esta informação. Caso necessite de ajuda não hesite em contatar-nos (Quiroativação). Não deixe que a sua coluna afete o seu bem-estar.


Referências:

  • Bickle, I. & Gaillard, F. (2021). Disc protrusion. https://radiopaedia.org/articles/disc-protrusion?lang=gb.

  • Huff, L. & Brady, D. (2005). Instant Access to Chiropractic Guidelines and Protocols – Second Edition. Elsevier Mosby.

  • Kuligowski, T., Skrzek, A. & Cieślik, B. (2021). Manual Therapy in Cervical and Lumbar Radiculopathy: A Systematic Review of the Literature. International Journal of Environmental Research and Public Health. 18 (11): 6176.

  • NHS (2020). Treatment. Back Pain. https://www.nhs.uk/conditions/back-pain/treatment/.

  • Radhakrishnan, K., Litchy, W., O'Fallon, W. & Kurland, L. (1994). Epidemiology of cervical radiculopathy. A population-based study from Rochester, Minnesota, 1976 through 1990. Brain: a Journal of Neurology. 117 (Pt 2): 325–335.


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