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Hérnia Discal Lombar



Descrição da condição


A hérnia discal é uma lesão que ocorre com frequência na região lombar. Esta condição pode provocar dores nas costas e alterações da sensibilidade, assim como perda de força na coxa, perna e pé. Aproximadamente 80% das pessoas vão experienciar dor na lombar em algum momento da sua vida. A localização mais comum das hérnias discais na coluna lombar é no disco que fica entre a quarta e quinta vértebra lombar (L4-L5) e no disco que fica entre a quinta vértebra e o sacro (L5-S1).


Na maior parte casos, com exceção para causas traumáticas, hérnia discal é uma condição progressiva que passa por diversas fases: 1. Abaulamento, 2. Protrusão, 3. Extrusão, e 4. Sequestro.


Eis uma ilustração das diversas fases:



No abaulamento, existe uma pequena projeção do disco na horizontal, como resultado da diminuição da altura do disco, e já existe alguma perda da integridade do anel fibroso.

A protrusão discal é uma condição é caracterizada pela projeção do conteúdo do disco além dos limites normais do disco intervertebral num segmento, inferior a 25% da circunferência do disco (Huff e Brady, 2005; Bickle e Gaillard, 2020). A partir desta fase, as raízes nervosas podem ser afetadas, e podem surgir sinais neurológicos, criando outra condição denominada por radiculopatia.


Quando o anel fibroso perde totalmente a sua integridade, este é incapaz de suster o núcleo pulposo dentro dos seus limites. O líquido contido no seu interior poderá sair para o meio externo e, quando isso acontece, o disco poderá diminuir de volume, achatando-se. É neste momento que estamos perante uma verdadeira hérnia discal. As hérnias podem ser extrusas e sequestradas. A hérnia discal extrusa dá-se quando há o rompimento do anel fibroso e o conteúdo gelatinoso interno presente no núcleo pulposo sai por meio de uma fissura na membrana, havendo perda de contato dos fragmentos extravasados com o seu meio interno. Por outro lado, a hérnia discal sequestrada é aquela que rompe a parede do disco e o líquido gelatinoso migra para dentro do canal medular, para cima ou para baixo. Além da pressão na raiz nervosa, provoca inflamação e compressão contínua. É o tipo de hérnia que provoca a chamada dor química (se quiser entender um pouco mais sobre isto leia o artigo Dor | Uma Sensação Desagradável), pois o núcleo pulposo, quando fora do seu ambiente natural, tem propriedades químicas ácidas e provoca dores insuportáveis. O paciente apresenta uma postura antálgica, inclinando o tronco para o lado que lhe dá conforto.


As causas mais comuns para as hérnias discais podem incluir alterações degenerativas no disco e na coluna, trauma súbito, microtrauma gradual ou uma combinação de ambos. Afeta mais a faixa etária de 30 a 50 anos (Huff e Brady, 2005).


Hérnia discal a comprimir uma raiz nervosa


Sinais e sintomas



O sintoma mais presente é dor lombar e/ou nas pernas com história de meses/anos. Pode ser aguda (normalmente com duração inferior e 1-2 semanas) ou crónica (com duração de meses ou anos). A dor nas costas geralmente desaparece com o início da dor nas pernas. A dor aumenta com a flexão do tronco para frente, tosse e espirros. É aliviada quando se deita com os joelhos flexionados, e por vezes com a extensão do tronco.


Possíveis achados neurológicos, no exame físico, incluem hipoestesia (perda ou diminuição da sensibilidade) sobre um dermátomo (região localizada da pele) específico, fraqueza muscular sobre um miótomo (músculo) específico, e reflexos tendinosos profundos diminuídos ou ausentes. As complicações podem incluir disfunção da bexiga e do intestino e síndrome da cauda equina. Outros achados, no exame físico, podem incluir defesa muscular, rigidez matinal e atrofia muscular (Huff e Brady, 2005).


Hérnia discal: O que é, sintomas e causas?



O que é o Síndrome da Cauda Equina?



Tratamento


Os objetivos do tratamento de uma hérnia discal pela promoção melhoria dos tecidos moles (músculos e ligamentos) em redor da articulação intervertebral, pelo alívio da dor e prevenção de recidivas, pelo aumento da função articular (via aumento da amplitude do movimento livre de dor, e do restauro da força e estabilidade da estrutura articular para valores normais). Quanto mais rápido for este processo de reabilitação e restauro da função, melhor será o prognóstico do paciente.


Após uma extensa avaliação do historial clínico do paciente e um exame físico, o clínico deverá identificar as causas subjacentes (se quiser aprofundar este tema, leia o artigo: Quais as causas da dor lombar? Saiba como identificar e eliminar os fatores de risco?) e os gatilhos para os episódios de dor lombar aguda. Uma vez identificadas as causas, estas também devem ser eliminadas. A identificação dos gatilhos para os episódios agudos, e o estabelecimento de estratégia preventivas é um processo que exige uma avaliação funcional específica por parte de um clínico treinado e identificado com os mesmos (marque uma consulta com Quiroativação para o efeito).


É expectável que a dor nas costas melhore ao longo de algumas semanas (NHS, 2020). O processo de reabilitação, com recurso a tratamentos não farmacológicos, deve ter início assim que possível, para minimizar a dependência de formas passivas e farmacológicas de tratamento.


A curta duração de sinais e sintomas é um bom sinal para a uma resposta positiva à manipulação vertebral.


O número de episódios prévios pode ser um fator para aumentar o número de tratamentos necessários para restaurar a amplitude de movimento livre de dor.


Apesar de não ser aconselhado períodos de repouso absoluto para lá dos 2 dias, o paciente beneficia em estado agudo beneficia de descanso deitado com os joelhos flexionados e apoiados. Na fase aguda pode ainda ser usado com moderação gelo ou massagem com gelo em períodos curtos, mais com efeito analgésico (ajudando a reduzir a dor). Na reabilitação poderão ser usados outros meios físicos, com o propósito de aliviar a dor e reduzir o edema.


Uma vez em fase subaguda podem ser acrescentadas outras técnicas terapêuticas auxiliares, incluindo terapia de pontos gatilho, acupuntura, correntes galvânicas, e ultrassons. O seu clínico será capaz de guiar nos passos subsequentes.


Passada a fase aguda, podem ser introduzidas técnicas de tração da coluna, desde que devidamente ajustadas à capacidade da estrutura da coluna. Pode ser usada tração intermitente ou técnicas de flexão-distração, por exemplo.


A manipulação vertebral pode ser indicada quando realizada por clínicos devidamente qualificados e treinados para o efeito, como é o caso de um quiropático. Nesta fase, a manipulação vertebral exige especificidade e uma correta avaliação de quais os segmentos podem ser ajustados, e quais devem ser deixados quietos. É neste aspeto que a Quiroprática se diferencia das restantes profissões que também manipulam a coluna, especificidade no ajustamento vertebral.


Dependendo da evolução da condição, é possível ao fim de 2 semanas iniciar um programa de exercício envolvendo atividades aeróbias de baixo impacto e stress reduzido, em paciente com dor lombar. Em função da avaliação subsequente, considerando os gatilhos individuais (movimentos / ações que aumentam os sintomas, principalmente os periféricos), poderão ser introduzidos exercícios de reabilitação da coluna. Exercícios de McKenzie, em extensão podem beneficiar certos pacientes. Este tipo de exercícios pode beneficiar no fortalecimento da musculatura extensora da coluna e na estabilização da mesma, ajudando a reduzir o edema e a dor, aumentando a amplitude do movimento, estimulando o processo de cura. Estes exercícios auxiliam na hidratação do disco intervertebral (importante beber água na sua sequência), o que é importante para reverter o pH ácido do núcleo, implicado na dor química.


Com o evoluir positivo da condição, exercícios de melhoria da estabilidade lombar (exercícios de core) e técnicas de bracing para a lombar (leia o artigo: Os “3 Grandes” Exercícios (para a Coluna Lombar) Não Negociáveis) (https://www.quiroativacao.com/post/os-3-grandes-exerc%C3%ADcios-para-a-coluna-lombar-não-negociáveis). É fundamental retornar à vida ativa o mais cedo possível, não só pela saúde musculoesquelética, mas também pela saúde mental e social do paciente.


Algumas questões que surgem com frequência:


Quando se justifica fazer uma ressonância magnética?



Pode uma hérnia discal curar-se por si só?



Para finalizar, deixamo-vos com uma excelente palestra Stuart McGill, na qual fala sobre como se podem mitigar as causas da dor lombar, nomeadamente ao discutir o papel da correção da postura e dos movimentos que podem desencadear as hérnias discais.



Esperamos tê-la(o) ajudado com esta informação. Caso necessite de ajuda não hesite em contatar-nos (Quiroativação). Não deixe que a sua coluna afete o seu bem-estar.


Referências:


Aviso Legal:

A informação disponibilizada não representa um diagnóstico clínico, nem mesmo uma prescrição. Deve consultar profissionais devidamente credenciados para avaliação e diagnóstico clínico, que possam prescrever tratamentos adequados dentro do seu escopo de prática. Antes de iniciar um programa de exercício deve consultar um profissional licenciado na área clínica e ser supervisionada(o) por um técnico de exercício físico ou fisioterapeuta devidamente qualificado. O mesmo se prende com a prescrição de programas de nutrição funcional e suplementação, os quais devem ser prescritos por nutricionistas devidamente credenciados e pertencentes à respetiva ordem.